Proteção da Mata Atlântica em Santa Catarina
- Consolidar e fortalecer as Unidades de Conservação
- UC´s.
APRESENTAÇÃO
O
estado de Santa Catarina, localizado na Região Sul
do Brasil nas coordenadas 29021'13''S e 25058'09''S e 48010'44''W
e 53050'10''W (Fig. 1), está coberto por quatro grandes
regiões ecológicas, ou seja, Floresta Tropical
Atlântica (Floresta Ombrófila Densa), Floresta
de Araucária (Floresta Ombrófila Mista), os
Campos do Planalto (Savanas) e a Floresta Subtropical do Rio
Uruguai (Floresta Estacional Decidual), além da Vegetação
Litorânea (KLEIN, R. M., 1978) (Formações
Pioneiras - Mangue e Restinga (SANTA CATARINA, 1986). A Floresta
Tropical Atlântica e a Vegetação Litorânea
situam-se na Vertente do Atlântico, onde se formam 12
(doze) bacias hidrográficas, e é onde dois terços
da população catarinense reside. A Floresta
de Araucária, Campos do Planalto e Floresta Subtropical
do Rio Uruguai, situam-se na Vertente do Interior (região
do planalto catarinense), onde se formam duas grandes bacias
hidrográficas. Originalmente a cobertura florestal
ocupava 81,5% da superfície do território catarinense,
sendo que a maior parte era constituída pela Floresta
de Araucária (SANTA CATARINA, op. cit.). A Floresta
Tropical Atlântica cobria aproximadamente 30% desta
área (KLEIN, R. M., op. cit.).
A
ocupação do território catarinense, que
possui 95.985 km2, deu-se mais especificamente em meados do
século XVII com a vinda dos portugueses que se estabeleceram
no litoral, tendo como principal atividade a pesca e mais
tarde a caça de baleias. No século XVIII a expansão
dos colonizadores do estado de São Paulo, sobe o planalto
brasileiro, que na rota sul, originou a ocupação
do planalto catarinense, onde se instalou um núcleo
criador de gado. No século XIX iniciou-se a vinda dos
colonizadores alemães e italianos (principais colonizadores
do estado de Santa Catarina), que ocuparam primeiro o litoral
e depois, no início do século XX, o médio
e extremo-oeste catarinenses (SANTA CATARINA, op. cit.).
Em
decorrência da ocupação histórica
e da disponibilidade dos recursos naturais pode-se caracterizar
o estado de Santa Catarina da seguinte forma: Região
Sul - principalmente atividades industriais e minerais, com
destaque para a produção de cerâmica e
a extração de carvão; Região Nordeste
- concentração industrial, com predominância
do complexo eletro-metal-mecânico; Região do
Vale do Itajaí - destaque para a área industrial,
principalmente na produção têxtil; Regiões
Norte e Planalto - principais atividades são a produção
bovina, extração de madeira e agricultura; Região
Oeste - produção agropecuária, com concentração
de parque agro-industrial, associado a industrialização
de aves e suínos; e Região do Litoral - pesca,
concentração de serviços públicos
estaduais e federais e grande desenvolvimento da indústria
do turismo (SANTA CATARINA, op. cit.).
Em
função destas atividades houve uma exploração
muito acentuada e indiscriminada dos recursos naturais florestais,
hídricos e minerais e um uso e ocupação
desordenados do solo. Os desflorestamentos para retirada de
madeira, abertura de áreas para agropecuária,
a exploração de minérios, a ocupação
das áreas litorâneas para implantação
de balneários e o crescimento muito rápido dos
centros urbanos, foram os principais fatores que reduziram
para cerca de 17% a cobertura florestal original do estado
de Santa Catarina (neste índice estão incluídas
as formações florestais primárias e secundárias
em estágio avançado de regeneração
de Floresta Tropical Atlântica, Floresta de Araucária,
Floresta Subtropical do Rio Uruguai e os Campos do Planalto)
(FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA, et al.,
1998). A Floresta de Araucária foi quase totalmente
dizimada pela exploração madeireira, dando lugar
à agropecuária e silvicultura de espécies
exóticas (Pinnus spp. e Eucalyptus spp.). A Floresta
Tropical Atlântica atualmente ocupa 7% de sua área
original, cujos principais fatores de sua destruição
foram o desflorestamento para fins energéticos, substituindo
o óleo combustível, e para ceder lugar à
agricultura e pastagem.
Frente
a este quadro, o Governo do Estado de Santa Catarina, preocupado
com a preservação do que ainda restava de florestas
catarinenses, resolveu criar a partir de 1975 através
da Fundação do Meio Ambiente - FATMA, cinco
unidades de conservação de uso indireto: Parque
Estadual da Serra do Tabuleiro (1975), Reserva Biológica
Estadual do Sassafrás (1977), Parque Estadual da Serra
Furada e Reserva Biológica Estadual da Canela Preta
(1980) e Reserva Biológica Estadual do Aguaí
(1983), que perfazem um total de 103.000 ha. Todas estas unidades
de conservação estão localizadas em área
de Floresta Tropical Atlântica, considerada a grande
prioridade para a conservação da biodiversidade
em todo o continente americano, e no estado de Santa Catarina,
constitui a última reserva significativa de cobertura
vegetal e consequentemente o último grande refúgio
da fauna catarinense. Também através da preservação
das florestas tem-se a garantia de manutenção
de importantes reservatórios de água doce, que
são utilizados como mananciais de abastecimento público,
industrial, irrigação de lavouras, etc.
JUSTIFICATIVA
Para
alcançar os objetivos de conservação
da biodiversidade, é necessário que se prossiga
com ações de proteção e planejamento
do uso dos recursos naturais, que passam seguramente pelas
atividades de controle através de licenciamento ambiental,
seguido de um eficiente trabalho de fiscalização
e monitoramento, bem como por ações de educação
ambiental e finalmente pela implantação de unidades
de conservação estaduais, que é o principal
objetivo deste Projeto.
A
definição de áreas naturais protegidas
assegura a manutenção dos ecossistemas, imprescindível
para a preservação da diversidade biológica,
garante a disponibilidade e qualidade dos recursos hídricos,
promove oportunidades para a pesquisa científica, educação
ambiental, turismo, recreação e lazer. A proteção
de amostras significativas de ambientes naturais através
de unidades de conservação, constitui-se em
uma das recomendações da Comissão Mundial
sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento -
CMMDA,
para que a humanidade busque um desenvolvimento mais equilibrado,
além do que a permanência e a manutenção
da existência humana está estreitamente envolvida
com a preservação do Patrimônio Natural
e Cultural.
Os
benefícios de caráter biológico, ecológico
e sócio-econômico, aumentam na medida em que
áreas naturais protegidas estejam estabelecidas e manejadas
com eficiência. Para que se atinja estes objetivos,
o Governo do Estado de Santa Catarina, através da FATMA,
já realizou algumas ações para a implantação
de suas unidades de conservação e conseqüentemente
para proteção do importante ecossistema Floresta
Tropical Atlântica. Destacam-se as seguintes realizações:
criação e instalação de infra-estrutura
da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental
- CPPA (1991); a publicação do Atlas da Cobertura
Vegetal do Estado de Santa Catarina (1995); publicações
sobre a fauna do Estado (1996); o tombamento de algumas áreas
de Floresta Atlântica (1997); a elaboração
da Cartilha Ambiental para divulgação da Lei
de Crimes Ambientais (1998); a instalação de
infra-estrutura em 3 unidades de conservação
(casa de fiscal e administrador, aquisição de
veículos, equipamentos de comunicação
e informática); e para o Parque Estadual da Serra do
Tabuleiro foram efetuados o levantamento cadastral e cartorial
para ações discriminatórias visando indenizações,
a execução de um Programa de Educação
Ambiental e está em curso a elaboração
do seu Plano de Manejo (1991-1999). Ainda, em 1998 foi elaborado
o Projeto de Lei para criação do Sistema Estadual
de Unidades de Conservação - SEUC, instrumento
importante na política ambiental do estado de Santa
Catarina, estabelecendo medidas de gestão e de conservação
da diversidade biológica e consolidando legalmente
as unidades de conservação. Este Sistema permitirá
o gerenciamento mais eficiente das ações de
conservação dos ecossistemas catarinenses. Cabe
ressaltar que a maioria destas realizações foram
alcançadas através do Programa Nacional de Meio
Ambiente - PNMA, em seu Componente Mata Atlântica e
do Projeto Microbacias, em seus sub-componentes Proteção
e Manejo de Parques e Reservas Biológicas Estaduais
e Reformulação e Aplicação da
Legislação Ambiental do Estado, ambos financiados
pelo Banco Mundial - BIRD.
Para
dar continuidade às ações de implantação
das unidades de conservação estaduais e assim
assegurar a proteção e manutenção
da biodiversidade do ecossistema Floresta Tropical Atlântica,
é necessário o desenvolvimento de atividades
como: implantar infra-estrutura nas unidades de conservação
estaduais; elaborar planos de manejo das unidades de conservação
estaduais; fiscalizar toda a Vertente do Atlântico,
com ênfase nas unidades de conservação
estaduais e municípios de entorno; criar uma estrutura
de licenciamento adequada aos municípios de entorno
das unidades de conservação estaduais; proceder
o diagnóstico ambiental nos municípios de entorno
das unidades de conservação estaduais para subsidiar
programas de educação ambiental e de recuperação
de áreas degradadas, além de apontar as possibilidades
de desenvolvimento de atividades econômicas, compatíveis
com a conservação dos recursos naturais; e proceder
o monitoramento ambiental, para retroalimentar o planejamento
das ações nas unidades de conservação
estaduais e municípios de entorno.
Com
o desenvolvimento destas ações, o Governo do
Estado de Santa Catarina estará dando uma importante
contribuição para o cumprimento da Agenda 21,
no seu Capítulo 15. Ressalta-se ainda que apesar do
estado de Santa Catarina possuir apenas 7% de remanescente
de Floresta Tropical Atlântica, isto representa cerca
de 28% do total de remanescentes desta vegetação
em todo o Brasil. Assim fica evidente a importância
e a responsabilidade que o povo catarinense tem em preservar
este ecossistema tão rico em diversidade biológica.
ENTIDADE
FINANCIADORA: Banco Alemão Kreditanstalt für
Wiederraufbau - KfW.
ENTIDADE
EXECUTORA: Fundação do Meio Ambiente - FATMA.
DURAÇÃO:
4 anos
OBJETIVO GERAL
Preservar
e conservar a biodiversidade do ecossistema Floresta Tropical
Atlântica, representado principalmente nas unidades
de conservação estaduais, além de incentivar
o uso mais equilibrado dos recursos naturais nos municípios
de entorno, indo de encontro ao estabelecido na Agenda 21
no seu Capítulo 15.
OBJETIVOS
ESPECÍFICOS
Reestruturar as diversas gerências e Coordenadorias
Regionais de Meio Ambiente da FATMA, para a realização
das atividades previstas no Projeto;
Implantar
e gestionar as unidades de conservação estaduais;
Estabelecer parcerias com outras instituições
governamentais, não-governamentais, associações
comunitárias e outras organizações;
Identificar
as causas principais que ameaçam os habitates e a conservação
da biodiversidade das unidades de conservação
estaduais;
Criar
um banco de dados disponibilizando à comunidade, informações
sobre as unidades de conservação estaduais e
municípios de entorno;
Realizar
nas unidades de conservação e municípios
de entorno, o controle das atividades humanas que impliquem
em riscos ambientais;
Criar um banco de dados de licenciamento ambiental realizado
nos municípios de entorno das unidades de conservação;
Criar
um banco de dados de fiscalização ambiental
na Vertente do Atlântico;
Reestruturar
e/ou instalar na Vertente do Atlântico, pelotões
da CPPA;
Realizar a fiscalização ambiental na Vertente
Atlântica, com atividades programas para as unidades
de conservação estaduais e municípios
de entorno;
Realizar
programas de educação ambiental nos municípios
de entorno das unidades de conservação estaduais;
Incentivar
a participação comunitária na proteção
das unidades de conservação estaduais e no uso
mais equilibrado dos recursos naturais dos municípios
de entorno;
Incentivar
a elaboração e execução de projetos-piloto
nos municípios de entorno das unidades de conservação
estaduais, visando o uso sustentável dos recursos naturais;
e
Incentivar
o desenvolvimento regional integrado (físico, biológico
e sócio-econômico) para o aproveitamento do patrimônio
natural e cultural nos municípios de entorno das unidades
de conservação estaduais.
ÁREA DE ABRANGÊNCIA
A
Vertente do Atlântico do estado de Santa Catarina, com
ênfase nas unidades de conservação estaduais
e municípios de entorno (Fig. 02), ou seja, Parque
Estadual da Serra do Tabuleiro e os municípios de:
Águas Mornas, Florianópolis, Garopaba, Imaruí,
Palhoça, Paulo Lopes, Santo Amaro da Imperatriz, São
Bonifácio e São Martinho; Parque Estadual da
Serra Furada e os municípios de: Grão Pará
e Orleans; Reserva Biológica Estadual do Sassafrás
e os municípios de: Doutor Pedrinho, Benedito Novo,
José Boiteux, Rio Negrinho e Mafra; Reserva Biológica
Estadual do Aguaí e os municípios de: Siderópolis,
Treviso, Nova Veneza, Bom Jardim da Serra e Morro Grande;
e Reserva Biológica Estadual da Canela Preta e os municípios
de: Botuverá e Nova Trento. A fiscalização
ambiental será realizada em toda a área abrangida
pela Vertente do Atlântico.
COMPONENTES
COMPONENTE
COORDENAÇÃO GERAL
O
componente Coordenação Geral tem por objetivo
promover a integração das entidades executoras
entre si e com os diversos parceiros no âmbito municipal,
estadual, federal e KfW. Planejar as ações necessárias
ao desenvolvimento do Projeto "Conservação
da Biodiversidade da Floresta Tropical Atlântica no
estado de Santa Catarina"; coordenar as atividades dos
demais componentes através de ações integradas;
fazer acompanhamento das atividades e elaboração
de relatórios dos resultados obtidos a partir dos relatórios
de cada componente; planejar e implementar atividades de auditoria,
consultoria, capacitação e atualização
técnica, tendo como público alvo os coordenadores
técnicos e os demais técnicos envolvidos nas
atividades dos demais componentes do Projeto; planejar e implantar
infra-estrutura necessária para a execução
do Projeto.
A
Coordenação Geral do Projeto terá também
o apoio de consultoria internacional durante a execução
do mesmo.
COMPONENTE
CONSOLIDAÇÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
ESTADUAIS
O
componente Consolidação das Unidades de Conservação
Estaduais tem por objetivo consolidar as áreas naturais
protegidas, de forma que estas venham a alcançar verdadeiramente
seus objetivos de criação. Para melhor execução
das atividades este componente foi dividido em dois sub-componentes:
Sub-componente Implantação das Unidades de Conservação
Estaduais e Sub-componente Gestão das Unidades de Conservação
Estaduais.
O
estado de Santa Catarina administra, através da FATMA,
cinco unidades de conservação, duas delas sob
a categoria de Parque: Parque Estadual da Serra do Tabuleiro
e Parque Estadual da Serra Furada; as outras três estão
sob a categoria de Reserva Biológica: Reserva Biológica
Estadual do Sassafrás, Reserva Biológica da
Canela Preta e a Reserva Biológica do Aguaí.
COMPONENTE IMPLANTAÇÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
O
sub-componente Implantação das Unidades de Conservação
tem como objetivo principal a realização de
ações que viabilizem a estruturação
da Gerência de Unidades de Conservação
- GECON, o estabelecimento de infra-estrutura física
nos Parques Estaduais e ações de manutenção
nas Reservas Biológicas Estaduais.
Benefícios
e resultados esperados
Cinco
unidades de conservação estaduais devidamente
implantadas.
A
delimitação e demarcação topográfica
georreferenciadas das áreas dos Parques e Reservas,
irá dirimir ao máximo as dúvidas quanto
às questões de localização exata
das porções territoriais das mesmas. Esta localização
exata dará subsídios concretos para as ações
de arrecadação de terras devolutas, desapropriação
e indenização de propriedades, necessárias
para a implantação das unidades de conservação
de uso indireto. Também facilitará as ações
de licenciamento, fiscalização e monitoramento
ambientais, pelo fato de estar definido exatamente onde começa
e onde termina a unidade de conservação.
Com
a estruturação e capacitação dos
técnicos que atuam direta ou indiretamente na área
de abrangência do Projeto, a administração
das unidades de conservação ficará mais
eficiente e eficaz.
SUB-COMPONENTE
GESTÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
O
sub-componente Gestão das Unidades de Conservação
tem como objetivo planejar e definir as ações
necessárias à gestão das unidades de
conservação estaduais com vistas a sua consolidação.
A gestão destas unidades de conservação
deve estar fundamentada em planos especificamente elaborados,
que devem ter a dinamicidade necessária para a constante
e plena atualização de programas frente a todos
os fatores ecológicos, sociais, econômicos, políticos
ou legais, internos ou externos a cada área.
Estas
ações deverão estar voltadas ao desenvolvimento
e implementação de planos de manejo nos Parques
Estaduais, identificação das causas principais
que ameaçam os habitats; identificação
de conflitos associados às questões fundiárias
com a indicação de propostas para soluções
e criação de mecanismos de gestão participativa
de apoio às unidades de conservação estaduais;
realização de inventários técnico-científicos
nas Reservas Biológicas Estaduais; e criação
de um banco de dados disponibilizando à comunidade,
informações sobre as unidades de conservação
estaduais e municípios de entorno.
Este
sub-componente irá abranger as cinco unidades de conservação
estaduais:
Parque
Estadual da Serra do Tabuleiro: as ações previstas
para esta Unidade são: dar continuidade ao Plano de
Manejo e sua implementação, através de
um processo participativo, buscando formas alternativas de
gestão, abrindo a possibilidade de co-gestão.
Parque
Estadual da Serra Furada: as ações a serem desenvolvidas
para este Parque referem-se a elaboração do
Plano de Manejo e sua implementação. Para esta
Unidade serão desenvolvidos levantamentos técnico-científicos
que possibilitem seu Plano de Manejo.
Estas
atividades também serão baseadas no planejamento
participativo, com vistas à alternativas de gestão.
Reserva
Biológica Estadual do Sassafrás: as ações
a serem desenvolvidas para esta Reserva referem-se à
levantamentos técnico-científicos para o conhecimento
do potencial ecológico da Unidade, com vista a sua
gestão.
Reserva
Biológica Estadual do Aguaí: as ações
a serem desenvolvidas para esta Reserva referem-se à
levantamentos técnico-científicos para o conhecimento
do potencial ecológico da Unidade, com vista a sua
gestão.
Reserva
Biológica Estadual da Canela Preta: as ações
a serem desenvolvidas para esta Reserva referem-se à
levantamentos técnico-científicos para o conhecimento
do potencial ecológico da Unidade, com vista a sua
gestão.
Benefícios e resultados esperados
Cinco
unidades de conservação consolidadas e gestionadas,
cumprindo seu principal objetivo, a preservação
e proteção dos recursos naturais e consequentemente
da biodiversidade da Floresta Tropical Atlântica.
Integração e parcerias entre órgãos
governamentais (federais, estaduais e municipais), entidades
não-governamentais, associações comunitárias
e outras organizações, aumentadas.
Aprovação
do SEUC.
COMPONENTE CONTROLE AMBIENTAL
O
componente Controle Ambiental tem a finalidade de garantir
a existência das unidades de conservação
na integridade natural esperada e adequada. Para tal, deverá
estabelecer ações integradas com a administração
municipal e outras instituições, que possuam
afinidades de objetivos ou concorram para a melhoria da qualidade
ambiental.
O
componente terá no licenciamento, fiscalização
e monitoramento, os instrumentos de reorientação
dos usos dos recursos naturais.
Para
que se atinja estes objetivos, o Componente está dividido
em três sub-componentes: Sub-componente Licenciamento
Ambiental, Sub-componente Fiscalização Ambiental
e Sub-componente Monitoramento Ambiental.
SUB-COMPONENTE LICENCIAMENTO AMBIENTAL
O
sub-componente Licenciamento Ambiental tem por objetivo realizar
o licenciamento ambiental nos municípios de entorno
das unidades de conservação estaduais, em consonância
com as atividades de implementação, gestão,
fiscalização e monitoramento das mesmas.
Este
sub-componente também tem como objetivos inventariar
as principais fontes efetiva e potencialmente degradadoras
da qualidade ambiental para cada um dos 23 municípios
de entorno das unidades de conservação estaduais;
criar um banco de dados de licenciamento ambiental georreferenciado;
estabelecer um programa municipal para readequação
de condutas, permitindo ampla participação popular;
e, instrumentalizar e capacitar cada município para
o exercício do licenciamento municipal.
Benefícios e resultados esperados
Atribuições
funcionais reorientadas e fluxos de trabalho definidos.
Diagnóstico
dos 23 municípios de entorno das unidades de conservação
estaduais, permitindo o estabelecimento de ações
de educação ambiental e fiscalização
mais direcionadas, principalmente para as áreas críticas.
Infra-estrutura e serviços dos municípios de
entorno das unidades de conservação, melhorada.
A
instrumentalização e a capacitação
dos municípios permitirá a descentralização
das atividades de licenciamento ambiental.
O
inventário dará subsídios para a elaboração
e implantação do banco de dados georreferenciado
do licenciamento ambiental realizado nos municípios
de entorno das unidades de conservação. Este
banco de dados fornecerá subsídios para a elaboração
do banco de dados do monitoramento ambiental georreferenciado.
controle
ambiental mais eficiente e eficaz e, consequentemente, melhor
preservação e proteção da biodiversidade
do ecossistema Floresta Tropical Atlântica.
SUB-COMPONENTE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL
O
sub-componente Fiscalização Ambiental tem como
objetivo realizar ações de fiscalização
dos recursos naturais em toda a área de abrangência
do Projeto, mais especificamente com ações programadas
para as unidades de conservação estaduais e
municípios de entorno, visando coibir principalmente
a agressão à Floresta Tropical Atlântica,
a deterioração dos recursos hídricos,
a prática da caça silvestre, a prática
da pesca predatória, a utilização inadequada
de fertilizantes e agrotóxicos, em cumprimento aos
dispositivos legais que tutelam este ecossistema florestal.
Este sub-componente tem ainda como objetivo convocar para
o licenciamento ambiental e fiscalizar todas as atividades
efetiva e potencialmente degradadoras da qualidade ambiental,
nos municípios de entorno das unidades de conservação
estaduais.
Seguindo
a Política Ambiental do Estado de Santa Catarina, a
FATMA e a CPPA desenvolvem em todo o território catarinense,
ações voltadas à fiscalização
das atividades efetiva ou potencialmente degradadoras da qualidade
ambiental e à educação ambiental, através
da ação global integrada entre Governo e Comunidade
e aplicação do sistema estadual de fiscalização
ambiental.
As
ações de fiscalização ambiental
previstas neste sub-componente serão desenvolvidas
pela FATMA e pela Polícia Militar do Estado de Santa
Catarina - PMSC, através da CPPA.
As
principais atividades desenvolvidas pela FATMA e CPPA são:
proteção da flora através da fiscalização
de madeireiras, desflorestamentos irregulares, transporte
de produtos e subprodutos florestais; proteção
da fauna através da fiscalização da caça,
da posse de animais em cativeiro, do comércio ilegal
de espécies silvestres; proteção dos
recursos hídricos através da fiscalização
da emissão de poluentes nos cursos-d'água, proteção
de nascentes e mananciais, preservação da mata
ciliar; proteção da fauna ictiológica
através da fiscalização efetiva da atividade
pesqueira; convocação para o licenciamento ambiental;
desenvolvimento do Programa S.O.S. Abelhas; e realização
de educação ambiental através de palestras
em escolas e comunidades, exposições, participação
em eventos, elaboração de material de divulgação.
Benefícios e resultados esperados
Melhoria
da qualidade de vida da população catarinense.
Dispositivos
legais que tutelam a Floresta Tropical Atlântica cumpridos.
Floresta Tropical Atlântica e demais ecossistemas associados
localizados na área de abrangência do Projeto
protegidos.
Unidades de conservação estaduais protegidas.
Mananciais
de águas e cursos d'água localizados na área
de abrangência do Projeto protegidos, possibilitando
à população o uso atual e futuro deste
importante recurso natural.
Fortalecimento
da GEFIS e coordenadorias regionais da FATMA e dos pelotões
da CPPA e uma fiscalização mais abrangente.
As
informações obtidas através das ações
de fiscalização preventiva e atendimento à
denúncias realizadas na sede da FATMA, Coordenadorias
Regionais de Meio Ambiente, nos Pelotões da CPPA e
nos postos de fiscalização, alimentarão
um banco de dados georeferenciado de fiscalização
ambiental realizada na área de abrangência do
Projeto. Este banco de dados dará subsídios
para a elaboração do banco de dados georeferenciado
do monitoramento ambiental.
Garantia de áreas ecologicamente importantes para possibilitar
a formação e posteriormente a manutenção
do corredor ecológico.
Recuperação
de áreas degradas garantida pelo cumprimento do dispositivo
legal.
Sistema estadual de fiscalização ambiental fortalecido.
Órgãos
ambientais que atum no controle do meio ambiente no Estado
integrados.
Cinco
postos de fiscalização construídos e
implantados.
SUB-COMPONENTE MONITORAMENTO AMBIENTAL
O
sub-componente Monitoramento Ambiental tem como objetivo o
acompanhamento das ações realizadas ao longo
da execução do Projeto, que permitirá
uma avaliação dos resultados alcançados
e se os objetivos de conservação da biodiversidade
da Floresta Tropical Atlântica no estado de Santa Catarina
foram alcançados.
O
monitoramento ambiental será feito com base na análise
das informações obtidas através da interpretação
das imagens de satélite para o mapeamento da cobertura
vegetal, dos dados obtidos com o inventário das principais
fontes efetiva e potencialmente degradadoras da qualidade
ambiental, dos bancos de dados georreferenciados do licenciamento
ambiental e da fiscalização e dos resultados
obtidos com as análises física, físico-química,
bacteriológica e ecotoxicológica da qualidade
de água das principais bacias hidrográficas
localizadas na área de abrangência do Projeto.
Os
indicadores a serem utilizados para a avaliação
qualitativa e quantitativa do Projeto e alcance dos objetivos
serão: número de unidades cadastradas; quantidade
de ecossistemas abrangidos; número de eventos realizados,
número de pessoas capacitadas; número de atividades
efetiva e potencialmente degradadoras da qualidade de vida;
número de quilômetros rodados; percentual de
conclusão da consolidação das unidades
de conservação estaduais; área construída;
número de apreensões/multas; área desflorestada
(acompanhada pela interpretação de imagens de
satélite, mapeamento e coleta de dados (GPS, CAD e
GIS); e número de bacias hidrográficas monitoradas
quanto à qualidade da água.
Na
área de análise de qualidade da água
existem três convênios estabelecidos com universidades,
ou seja, Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL, Universidade
do Extremo Sul de Santa Catarina - UNESC e Universidade de
Joinville - UNIVILLE e, um convênio com o Gesellschest
für Technische Zusammernarbeit - GTZ.
Benefícios
e resultados esperados
O monitoramento ambiental e os quadros atuais do uso dos recursos
naturais permitirão orientar as ações
de controle e educação ambiental e a elaboração
dos planos diretores municipais.
Obter subsídios que permitam o aperfeiçoamento
da legislação ambiental específica.
A análise destas informações e dados
obtidos no monitoramento ambiental, resultará na formação
de um banco de dados georreferenciado da evolução
das modificações ambientais ao longo da execução
do Projeto.
Evolução das modificações diagnosticadas
e monitoradas.
COMPONENTE INCENTIVO AOS MUNICÍPIOS DE ENTORNO DAS
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO ESTADUAIS
O
componente Incentivo aos Municípios de Entorno das
Unidades de Conservação Estaduais tem como objetivos
a educação ambiental, a transferência
de conhecimentos para a conservação ambiental
e uso sustentável dos recursos naturais e o fortalecimento
das políticas públicas municipais para o meio
ambiente, através do incentivo para a criação
de um sistema municipal do meio ambiente com base conselhista.
No
Brasil, a Política Nacional do Meio Ambiente instrumentaliza
as ações, a partir de uma visão sistêmica,
formulando o Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA.
Trata-se de múltiplos sistemas de gestão ambiental,
envolvendo o contexto federativo: união, estados e
municípios.
Neste
sentido, a Constituição Federal de 1988 eleva
os municípios a unidades federadas. Desta forma, cada
município pode instituir o sistema municipal do meio
ambiente e, guardando similaridade as instâncias governamentais
da união e estados, também instituir um conselho
municipal do meio ambiente.
A
Conferência da Nações Unidades, "Rio-92",
no Cap. XV sobre a Conservação da Biodiversidade,
reconhece as diferentes instâncias de governo e a necessidade
da participação local para a proteção
das florestas.
SUB-COMPONENTE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
O
sub-componente Educação Ambiental tem como objetivos
divulgar informações e promover ações
para a conservação da biodiversidade; envolver
as comunidades dos municípios de entorno das unidades
de conservação na preservação
e proteção das mesmas, através de programas
de conscientização pública; e apoiar
os municípios de entorno das unidades de conservação
no fortalecimento institucional para o desenvolvimento de
políticas locais para o meio ambiente.
Benefícios e resultados esperados
Comunidade
dos municípios de entorno das unidades de conservação
estaduais sensibilizada para a mudança de mentalidade
e atitudes, comprometida com a solução dos problemas
ambientais locais.
Comunidade dos municípios de entorno das unidades de
conservação estaduais organizadas em torno de
um objetivo comum.
Vinte
e três postos avançados construídos e
instalados.
Cinco
programas de educação ambiental elaborados e
executados.
Técnicos
que irão atuar na área de educação
ambiental devidamente capacitados para o exercício
de transmissão de conhecimentos.
Constituição
de saberes harmoniosos com o meio ambiente e a formação
de cidadania.
SUB-COMPONENTE PROJETOS-PILOTOS
O
sub-componente Projetos-Pilotos tem como objetivo maior estabelecer
arranjos político-institucionais entre os diversos
atores sociais para: elaborar diagnósticos sócio-ambientais
perceptivos; incentivar, através dos planos diretores
dos municípios de entorno das unidades de conservação
estaduais, o estabelecimento de políticas municipais
para o desenvolvimento social e meio ambiente; e propiciar
a elaboração e execução de projetos-pilotos
nas áreas de turismo, agroecologia e produção
artesanal.
Benefícios e resultados esperados
Vinte
e três projetos-pilotos implantados nos municípios
de entorno das unidades de conservação estaduais.
A
orientação do projeto através deste sub-componente,
permitirá visualizar a realidade local e sua dinâmica,
bem como possibilitará a participação
popular.
Os
projetos-pilotos serão úteis para desenvolver
um meio culturalmente mais favorável à implantação
das unidades de conservação estaduais.
O
uso dos recursos naturais dos municípios de entorno
das unidades de conservação estaduais é
orientado por meio de um Plano Diretor.
Políticas
públicas municipais para o desenvolvimento social e
de meio ambiente estabelecidas.
Comunidades
dos municípios de entorno das unidades de conservação
estaduais com qualidade de vida melhorada e utilizando de
modo sustentável, os recursos naturais.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
EMPRESA
DE PESQUISA AGROPECUÁRIA E DE EXTENSÃO RURAL
DE SANTA CATARINA S. A. Mapa de Uso da terra 1997 do Parque
Estadual da Serra do Tabuleiro. Relatório... Florianópolis
: EPAGRI, 1997. 19 p.
FUNDAÇÃO
SOS MATA ATLÂNTICA, et al. Atlas da Evolução
dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados no
Domínio da Mata Atlântica no Período 1990-95.
Relatório... São Paulo, 1998. 54 p.
KLEIN,
R. M. Mapa fitogeográfico do estado de Santa Catarina.
Itajaí : SUDESUL, FATMA, HBR, 1978. 24 p. (Flora Ilustrada
Catarinense; 5).
REITZ,
R. ; ROSÁRIO, L. A. do ; SCHIMTZ, R. J. Restauração
da fauna desaparecida na baixada do Maciambu (Palhoça,
S. Catarina, Brasil). Sellowia Ser. Zool., Florianópolis,
n. 2, 1982. 207 p.
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